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Edição 21 - Outubro/2008

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Altamiro Carrilho e sua flauta mágica

Altamiro Carrilho e sua flauta mágica

Altamiro Carrilho e sua flauta mágica estão de volta para encantar sua legião de fãs nacionais e internacionais: agora em maio, ele está lançando, pela Biscoito Fino, livro com CD duplo contando a história de sua vida e sua carreira, além de seus maiores sucessos.

Em outubro, conta Altamiro, será lançado o DVD duplo.

O artista diz ainda que foi um trabalho difícil, com cerca de 150 horas de gravação, mas muito prazeroso, especialmente pela participação de vários amigos, entre eles, Chico Buarque, Déo Rian e Bruno Rian, Maurício Einhorn, Álvaro e Mauricio Carilho, seu irmão e sobrinho, maestro Júlio Medalha e Cristovão Bastos. Tárik de Souza foi o entrevistador. Até o final do ano, o CD e o DVD serão lançados na Alemanha e na Itália.

Altamiro Carrilho nasceu na cidade de Santo Antonio de Pádua, no Estado do Rio de Janeiro, em 21 de dezembro de 1924. Por influência de sua família, aos cinco anos de idade brincava com uma flauta de bambu, feita por ele, e aos onze anos, já integrava a Banda Lira Árion, tocando tarol.

Em 1940, mudou-se com a família para Niterói, onde trabalhava como farmacêutico e à noite estudava música com o seu amigo e incentivador Joaquim Fernandes, flautista amador.

Altamiro adorava o programa dos grandes flautistas da época, Dante Santoro e Benedito Lacerda. Com uma flauta de segunda mão, inscreveu- se no programa de calouros de Ari Barroso, conquistando o primeiro lugar. E aí começou sua trajetória de sucesso. Ainda muito moço, pela sua incrível facilidade de improvisar, seu estilo muito pessoal e cheio de bossa, foi convidado a integrar conjuntos famosos como os de César Moreno, Canhoto e Rogério Guimarães. Estava aberto o caminho para um artista de berço e sua flauta mágica.

Estreou em disco em 1943, participando da gravação de um 78 rpm de Moreira da Silva, na Odeon. Em 1949, gravou o seu primeiro disco, na Star, “Flauteando na Chacrinha”. Formou seu primeiro conjunto em 1950, para tocar na Rádio Guanabara, onde permaneceu até maio de 1951, quando foi convidado a integrar o Regional do Canhoto, substituindo Benedito Lacerda. Em 1955, formou a Bandinha de Altamiro Carrilho, quando gravou o seu maxixe Rio Antigo que fez grande sucesso, chegando a vender 960.000 cópias, em apenas seis meses. De 1956 a 1958, a bandinha ganhou grande prestígio e popularidade com o seu programa Em Tempo de Música, na TV Tupi.

E seu enorme sucesso não parou por aí: na década de 60, encantou platéias em Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Egito, México, Estados Unidos e União Soviética. O sucesso no exterior foi tanto, que chegou a ficar um ano no México, onde foi passar uma temporada de apenas vinte dias. A partir da década de 1970, tornou-se um dos flautistas mais requisitados, como solista e como acompanhante.

Seu disco “Clássicos em Choro” foi premiado com o Troféu Villa-Lobos, como melhor disco instrumental, tendo recebido também Disco de Ouro pelo seu trabalho “Clássicos em Choros Nº 2”. Ganhou o Prêmio Sharp de 1997, como melhor CD instrumental, com o seu “Flauta Maravilhosa”. Recebeu em 1998, das mãos do então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, uma Comenda especial: a Ordem do Mérito Cultural, em reconhecimento ao seu talento e sua incansável luta em prol da música brasileira. Compositor de versatilidade extraordinária, Altamiro Carrilho compôs cerca de 200 músicas dos mais variados ritmos e estilos. Com 60 anos de carreira, tem mais de 100 gravações em discos, fitas e CDs.

O novo CD e o DVD vêm coroar uma carreira sempre pautada pelo profissionalismo, pela ética e pelo dom da música. Altamiro Carrilho e sua flauta mágica terão sempre um lugar de destaque na música brasileira.

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